sábado, 6 de abril de 2013

"ARGILA PROVISÓRIA" [Cântico aos que passam ou Uma fala ao poeta Francisco Carvalho] (Dércio Braúna)

Dandelion Textures - Aussiegall


Nossa fala é uma argila provisória
[FRANCISCO CARVALHO, Raízes da
Voz, p. 151]



O que é este homem?:

suas circunstâncias?,
o grito voraz morto
em sua ganganta?,
o seu turvo gesto
que não finda?,
o vir-a-ser tumefacto
de um sonho
          preso entre
          os calos de sua mão
          encarquilhada?

O que é este homem
que há,
          agora,
          e,
          já amanhã,
não mais?

O que é esta "argila provisória"?,
que não sabe a que veio
e que contudo não cessa
seu dorido canto: aqui estou?


_________________
Dércio Braúna [editor de Kaya] - é poeta, contista, historiador; autor de O pensador do jardim dos ossosA selvagem língua do coração das coisasMetal sem húmusComo um cão que sonha a noite sóUma nação entre dois mundos: questões pós-coloniais moçambicanas na obra de Mia Couto.

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