sábado, 6 de junho de 2015

Na casa do bisavô morto [Iara Maria Carvalho]

forno a lenha,
vapores senis
dos fantasmas libertos,
um alguidar esquecido na despensa.

Ao som de portas moventes,
cristaleiras emitindo
madeirices e flores antigas.

Uma máquina de costura
que cerziu tantas saias de tantas
tias tontas ao léu:
umas mortas; outras virgens.

No seu quarto,
a cama com felpuda colcha de
linha de trem partido há
décadas de ausência lendária
ensinando rezas e poesias
com os olhos verdes verdes.

Tanto tempo vivido
e os açudes sangram
pra dentro do seu chapéu vazio.


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# LEIA TAMBÉM:
- É um pássaro [Iara Maria Carvalho]
- Coração violento [Iara Maria Carvalho]
- Redenção [Iara Maria Carvalho]



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Iara Maria Carvalho nasceu em 1980, em Currais Novos, Seridó norte-rio-grandense. É graduada em Letras e mestra em Estudos da Linguagem, pela UFRN. Atua como agente cultural em sua cidade, através do Grupo Casarão de Poesia. Como poeta, venceu o 3º Concurso de Poesia Zila Mamede (Parnamirim/RN, 2006) e obteve a 3ª colocação no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody (Curitiba/PR, 2010), dentre outros concursos. O Presente poema consta do livro Milagreira, publicado por Casarão de Poesia Edições (2011) -  grupocasarao@gmail.com.



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