terça-feira, 23 de abril de 2013

POESIA, LITERATURA, ARTES - UM INVESTIMENTO NO HUMANISMO (Webston Moura)

Literatura de Cordel: uma riqueza da nossa cultura


Desde muito cedo, o incentivo à leitura deve ser feito para que a pessoa construa uma prática (uma experiência) que lhe possa ser base e caminho para toda a vida. Não basta aprender a ler e a escrever! É preciso mais. Embora muitos, por mais que haja incentivo, jamais venham a se tornar leitores, nosso cotidiano, na família e na escola, não pode prescindir de livros, revistas e afins, tampouco do universo paralelo à leitura, que é o universo próprio da curiosidade, das conversas inteligentes, do desejo de conhecer que cada pessoa pode alimentar e, assim, modificar para melhor sua própria vida e a vida da sociedade.

Nesse ínterim, vale ressaltar que a leitura apenas informativa, de conteúdo mais jornalístico e/ou científico, é apenas uma variedade de leitura, rica e interessante, mas que não substitui nem supera a palavra poética e a literatura. Portanto, necessário é perceber que, por mais que o mundo tenha mudado, não podemos descartar o humanismo que nos é possível nestas artes sobre as quais nosso olhar (nosso coração) deve se demorar um tanto mais. Aliás, em si, a leitura de poemas, contos, romances e outras modalidades, constrói em cada um de nós um saudável sentido de espera, de demora, de vivência não-agoniada, algo fundamental para a nossa alma crescer de modo melhor.
Plat à décor aquatique, dynastie Qing, période Kangxi (1662-1722),
fin du 17ème siècle. Musée Guimet, Paris (Créditos da imagem: Vassil)

Penso que melhor será à construção de um hábito e de um gosto pela leitura de poesia e de literatura, se as crianças tiverem na escola uma educação artística integral: música; dança; artes plásticas; teatro; audiovisual; etc. Sabemos que as artes refinam o espírito e lhe podem dar portas que o conhecimento técnico não há de dar. A pretensão maior dessa ideia não é fazer das pessoas artistas com futuro, público e fama, mas fazer-lhes cidadãs melhores, mais centradas, mais conhecedoras de seus sentimentos, de suas emoções e de um imenso arcabouço histórico de tradições as mais diversas.

O ensino de música nas escolas já é lei desde 2008 e não há restrições legais no sentido de impedir o ensino de outras artes. Claro, tudo isso demanda estrutura, verbas, planejamento, profissionais suficientemente aptos, etc. E para quem considera perda de tempo, vale a pergunta: perder, por exemplo, para o tráfico de crack é melhor?

Entretanto, mesmo que consideremos acerto um maior incentivo à leitura e à vivência em diferentes artes, isso não basta. Toda essa questão carece de ir para a pauta dos governos, especialmente dos prefeitos e de seus (suas) secretários (as) de educação e de cultura. Não podemos, como em outras questões, esta resvale para a vala das picuinhas entre os diferentes grupos políticos que lutam mais por hegemonia política que pelo desenvolvimento social, cultural e econômico reais da população.




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Webston Moura [editor de Kaya] é poeta, autor de Encontros imprecisos: insinuações poéticas (Imprece, 2006). Mantém os blogs Arcanos Grávidos e Cotidiano e Mistério. E recomenda a leitura de Os Bruzundangas e a audição de O Jardim das Horas.


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