domingo, 21 de abril de 2013

AQUELES HOMENS NUS CONTRA E LEI E O PROGRESSO* (Webston Moura)



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A lei é um deus por sobre as águas,
praga sutil e eficaz.

A lei é um primor, um engenho depurado;
põe sobre índios o peso de hidrelétricas.

Antes, porém, a bem de outros progressos,
põe fazendeiros e agrotóxicos,
mineradores & etc.

A lei não fala jê, nem guarani,
nem coisa alguma que escute peixe,
vento ou chão.

A lei é cinza,
porque seu homem
(o que lhe ilumina)
é branco por fora
e impossível por dentro.

A lei é desabitada de índios,
mas repleta de fome.






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* NOTA DE EXPLICAÇÃO CIDADÃ:

Preocupa-me muito o que está acontecendo em nosso país, especialmente porque enquanto muitos dizem termos um governo central (federal) progressista, formado em sua base por históricos partidos de esquerda que sempre se disseram sensíveis às causas do povo, percebemos ser para tal governo e para seus parceiros nos negócios que os povos indígenas significam um problema e não povos que merecem o nosso respeito e a nossa solidariedade, até para que sejam efetivamente protegidos. Vejo apoio popular real em outras lutas, mas nessa nem tanto. E se dependermos da consciência de muitos “esquerdistas”, especialmente os dos partidos da base do governo federal, estaremos  condenando os povos indígenas a um terrível destino. Como olharemos para nós mesmos depois?

________________
Webston Moura [editor de Kaya] é poeta, autor de Encontros imprecisos: insinuações poéticas (Imprece, 2006). Mantém os blogs Arcanos Grávidos e Cotidiano e Mistério. E considera importante que o visitante, homem ou mulher, acesse os sítios Povos Indígenas do BrasilConselho Indigenista MissionárioInstituto Socioambiental (ISA)Movimento Xingu Vivo e o documento Povos Indígenas: manifesto contra os decretos de extermínio.

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